Ombudsman profissão em extinção?

Confira entrevista exclusiva do ex-ombudsman da Folha, Mário Magalhães

Jornalismo na Internet: Agilidade x credibilidade

Confira artigo escrito por Horácio Busolin Junior

Ombudsman na TV

O jornalista Gabriel Priolli fala sobre o assunto

Ombudsman?

O que é ombudsman? Conheça as origens deste cargo de grande importância para o jornalismo

Ética no Jornalismo

Confira entrevista exclusiva com Rogério Christofoletti

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Manutenção





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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Ética no Jornalismo - Entrevista com Rogério Christofoletti




São muitos os tipos de erro que um ombudsman pode encontrar analisando seu meio de comunicação: erros de apuração, erros gramaticais, erros de edição e outros. 

Assim como em toda profissão, muitos dos jornalistas não seguem o código de ética do gênero, sendo assim, a presença de um ombudsman pode ajudar a evitar que esse tipo mais grave de erro aconteça. Pensando na colaboração para o crescimento do jornalismo, o MídiaVisão entrevistou o jornalista Rogério Christofoletti, professor, pesquisador e autor de diversos livros, entre eles, “Ética no Jornalismo”. Confira:


Rogério Christofoletti. Foto: André Lacasi

MídiaVisão: Com a não obrigatoriedade do diploma, na sua opinião, haverá um crescimento no número de profissionais antiéticos?
Rogério Christofoletti: O que determina se um profissional é antiético ou ético não é o diploma que ele pode vir a portar. Seguir padrões de conduta, cultivar valores, ter preocupações com seus atos, refletir sobre o seu agir vai muito além de simplesmente frequentar a escola. A formação ética de uma pessoa passa por diversas fases e por vários grupos sociais. Por isso, não depende do diploma. Se fosse assim, poderíamos ficar tranquilos quando chegamos a um consultório médico e observamos o diploma dele pregado na parede. Ora, é um médico formado, então, não preciso me preocupar com algum desvio ético dele… não é tão simples assim. Todavia, é importante ter uma formação sólida do ponto de vista dos conhecimentos práticos, dos teóricos e dos profissionais. Na universidade, o estudante tem uma ótima oportunidade de discutir esses aspectos, de simular situações-limite, de experimentar caminhos. 

MídiaVisão: Você acha que existe algum problema no modo em que a ética é ensinada nas faculdades?
Rogério Christofoletti: Vejo alguns problemas sim. O primeiro deles é resultado de uma grande contradição: professores, alunos e gestores de ensino – todos! - dizem que a formação ética é importante, crucial para os profissionais. No entanto, se você for observar os currículos dos cursos notará que a disciplina é oferecida em dois ou quatro créditos apenas, que é oferecida muitas vezes por advogados, filósofos ou padres (profissionais que nunca pisaram numa redação e, portanto, desconhecem os dilemas práticos do jornalismo), que é oferecida junto com conteúdos jurídicos (o que reduz ainda mais a sua carga horária), entre outros aspectos. Um dos argumentos mais usados é que ética é um conteúdo transversal e ele deve perpassar todos os demais. Ótimo. Mas não é assim que se vê por aí. Defendo que esses conteúdos sejam oferecidos com mais generosidade e atenção nos cursos.

MídiaVisão: Até que ponto o ombudsman pode contribuir para o leitor confiar no jornal?
Rogério Christofoletti: Pode contribuir na medida em que faz o seu trabalho bem, exercendo uma crítica que exponha as fragilidades do jornal e seus profissionais e que contribua para o seu aperfeiçoamento. O ombudsman não pode atuar como um buldogue do jornal; nem como seu marqueteiro...

MídiaVisão: Os jornalistas lidam com as críticas que recebem de uma maneira diferente dos outros profissionais?
Rogério Christofoletti: Não sei dizer outros profissionais, mas jornalistas são bastante refratários às críticas. Geralmente, somos muito bons para apontar os problemas dos outros, os erros alheios, as fraquezas de terceiros. Quando alguém aponta para o nosso lado, geralmente, ficamos muito irados e conclamamos o mundo em prol da liberdade de expressão, da liberdade de imprensa. O Eugenio Bucci - em Sobre Ética e Imprensa (Cia das Letras, 2000) - chamou esse comportamento de Síndrome de Autosuficiência Ética; também comento um pouquinho isso no meu Ética no Jornalismo (Contexto, 2008).

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Da China Antiga ao Brasil Contemporâneo


Como foi explicado na postagem anterior, o ombudsman moderno surgiu na Suécia, com vestígios de uma figura similar na antiguidade. Os primeiros indícios de um cargo como o ombudsman atual são datados no período da dinastia Qin da China (entre 221 a.C. e 206 a.C.) e mais tarde no período da dinastia Joseon da Coréia (entre 1392 e 1897). Na dinastia Joseon, o chamado Amhaeng-eosa era um oficial apontado pelo rei que era secretamente enviado às províncias para monitorar os oficiais do governo e observar como a população estava sendo tratada.

Na Roma Antiga, o Tribuno exercia um papel parecido mas tinha o poder de vetar decisões do Senado sobre a plebe, além de propor plebiscitos.

Em 1809, o ombudsman moderno surgiu na Suécia, quando o Riksdag, o parlamento da Suécia decidiu que uma instituição independente ao rei era necessária para fiscalizar o cumprimento das leis e funciona até hoje.

Riksdag, o parlamento sueco. Foto: Melker Dahlstrand

Atualmente, o trabalho do ombudsman varia de país para país. Alguns possuem um ouvidor geral, por exemplo, enquanto outros têm ouvidores particulares de cada empresa ou companhia. Veja alguns exemplos na imagem abaixo:


segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Ombudsman?


Para quem é da área de comunicação essa postagem pode parecer um desperdício, mas ao longo desses meses, quando perguntado sobre o tema do meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), a reação mais comum à resposta “ombudsman” foi uma pergunta que eu logo cansaria de tantas vezes responder: “O que é isso?”.

O ombudsman foi criado na Suécia, pelo Rei Carlos XII, em 1713, e consistia em uma espécie de representante contratado para vigiar os funcionários na ausência de sua alteza. Seu papel era fiscalizar a atuação de arrecadadores de impostos, juízes e outros dirigentes. Outras leituras também indicam que a origem do cargo pode ter surgido na Grécia Antiga, aproximadamente 400 a.C., com os Euthynes, que exerciam a função de vigilantes dos funcionários do Estado. Ou ainda, na China, onde exerciam o papel de ouvidores chamados de ouvidores conhecidos como Yan.

Desde sua origem, o ombudsman está imerso na esfera pública como representante dos direitos de cidadania, exercendo a função de mediador na administração pública, na iniciativa privada. A reivindicação dos direitos individuais da burguesia na Revolução Francesa abriu os caminhos democráticos para a origem do ombudsman, que de fato, pode ser considerado como o primeiro “defensor do povo”.

Ao longo dos anos, o cargo passou por transformações e ganhou novas atribuições. Com o mesmo objetivo de representar a sociedade na esfera pública foram criados no país ombudsman para defender consumidores, regular a igualdade de oportunidades, proteger as crianças, monitorar os direitos dos deficientes, atuar contra a discriminação étnica e sexual, e por fim, o ombudsman de imprensa.


Defensor dos leitores

No jornalismo impresso, o ombudsman é um fiscalizador que intercede pelo leitor junto à redação. Ele recebe os apontamentos de quem lê, analisa e divulga sua posição sobre os erros cometidos pelo jornal.

Remontam de 1913, as discussões nos jornais para a criação de um profissional para controlar a qualidade da imprensa e questionar aspectos relacionados à sua ética. Na época, Ralph Pulitzer, filho de Joseph Pulitzer, implantou no New York World um sistema para apurar a exatidão e veracidade das notícias, chamado de Bureau os Accuracyand Fair Play.

Porém foi nos anos 60, que o cargo foi consolidado na imprensa com a criação do ombudsman nos jornais Lousville Courier Journal e Louisville Times. O primeiro “defensor dos leitores” era o jornalista John Herchenroeder, pioneiro na responsabilidade de receber as críticas dos diários.

Nesse período, a imprensa americana passou por uma fase de desconfiança, definido por eles como credibility gap (vácuo de credibilidade). A crise obrigou os meios de comunicação a adotar estratégias para não perder os leitores. O pioneiro nos EUA em implantar o ombudsman de imprensa, foi o jornal Washington Post.

O modelo americano de ombudsman buscava a transparência e a cobrança ao jornalista, expondo seus erros e colocando-o sem análise para o público leitor. Neste sentido, o Post foi o pioneiro em unir a crítica interna e ainda escrever colunas para discutir o processo produtivo do jornalismo.


Ombudsman verde e amarelo

A criação do cargo em terras brasileiras se daria apenas em 1989, no jornal Folha de S. Paulo. Neste período, os brasileiros respiravam ares de redemocratização, e comemoravam a promulgação da Constituição de 1988, que ampliava os direitos civis dos cidadãos e incentivava a população a participar das decisões que pudessem mudar o destino da nação. Nesse contexto, a Folha de S. Paulo teve a ideia de transparecer uma imagem de jornal democrático, pluralista de “rabo preso com o leitor”.

Portanto, a criação do cargo do ombudsman, estava intimamente ligada ao marketing e fazia parte do projeto editorial criado pelo jornal para impulsionar as vendas e transmitir a mensagem de que a Folha de S. Paulo era o jornal das “Diretas Já”: transparente, apartidário e plural.

O pioneiro no cargo na Folha e na imprensa brasileira foi o jornalista Caio Túlio Costa. De 24 de setembro de 1989 a 22 de setembro de 1991, ele enfrentou o desafio de criticar a redação do jornal e contribuiu para sistematizar a função e deu consistência para as principais atividades que seriam desenvolvidas no cargo.

Foto: caiotulio.com
Caio Túlio Costa. Foto: caiotulio.com

A tarefa do ombudsman da Folha de S. Paulo consiste no trabalho de questionamento ético, análise de mídia e emissão de memorandos de comunicação de erros informativos e ortográficos, tudo aliado ao seu compromisso com o público – o ombudsman recebia diariamente as reclamações dos leitores que enviavam cartas, iam à redação ou ligavam para reclamar do conteúdo do jornal.

Em uma coluna escrita aos domingos, os 11 profissionais que passaram pelo cargo, em 24 anos, tiveram por objetivo retratar os erros do jornal ao leitor e criticar a produção jornalística da Folha de S. Paulo e, em alguns casos, também dos órgãos de imprensa em geral.

O mandato do cargo é de um ano, com possibilidade de renovação para mais um, que com o passar do tempo foi expandido para duas renovações, ou seja, três anos. Por isso, o ombudsman não pode ser demitido durante seu mandato, além de ter estabilidade garantida por mais seis meses na empresa após sua saída do cargo.


24 anos depois

Após 24 anos, a Folha de S. Paulo continua com o trabalho de ombudsman, cargo ocupado atualmente por Suzana Singer, que está como defensora dos leitores desde 2010. Em 2013, pela primeira vez, a ombudsman renovou seu contrato entrando em seu quarto mandato.
Em todos esses anos de trabalho, o ombudsman conviveu com as mudanças tecnológicas no jornalismo que de certa maneira alteraram seu ponto de vista crítico. Ao mesmo tempo em que a internet facilitou sua interação com o público com a criação de ferramentas como email e as redes sociais, a evolução tecnológica também abriu precedentes para o aparecimento de novas tendências no jornalismo.

As mudanças obrigaram o profissional a remodelar suas opiniões e servir como um educador de mídia em uma sociedade desintermediada, em que todos são jornalistas e todos são críticos.

O panorama de crítica de mídia no Brasil ainda é tímido. O número de jornais que contam com o cargo de ombudsman no Brasil ainda é irrisório. Na iniciativa privada, apenas os jornais Folha de S. Paulo e O Povo, do Ceará implantaram o ombudsman. Já o setor público possui a experiência da Ouvidoria da Empresa Brasil de Comunicação – EBC, que criou o cargo em 2009.

Esse cenário não empolga e não fomenta a crítica de mídia, se comparado à imprensa americana, que segundo a ONO (Organization of News Ombudsmen), conta com 20 profissionais associados. 

Além disso, ao longo dos anos, outras plataformas de mídia tentaram implantar o cargo, mas não obtiveram êxito. Na televisão, a TV Cultura implantou o cargo inovador em 2004. Porém, em 2012, a emissora extinguiu o cargo, excluindo o ombudsman de seu quadro de funcionários. Já na internet, o cargo também chegou a ser implantado no UOL e no portal IG. Porém as experiências também não deram certo.

Resumindo, o ombudsman tem a função de fiscalizar o meio de comunicação e apontar erros, além de sugerir melhorias e conversar com leitores, internautas, ouvintes ou telespectadores, o que aumenta a credibilidade do meio de comunicação e a confiança de seu público.

Porém, mais do que isso, o ombudsman, mesmo que aparentando ser uma figura decorativa de marketing, acaba por exercer o papel de um educador de mídia, que em suas colunas dominicais, explica o funcionamento da máquina do jornalismo e todas as suas mazelas, deficiências e conflitos éticos.